segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Saudades da minha terra




A vida de expatriado não é facil.
Eu poderia fazer uma longa lista de coisas que funcionam e são melhores nos Estados Unidos, mas o coração a gente não engana.

Como é bom o familiar.
Como é bom passar por lugares e ter memórias antigas, com pessoas que já se foram, mas que estão no coração. Como é bom não ser minoria, não ter sotaque, não ter que explicar toda vez de onde veio, como e porque.

Eu não quero morrer aqui.
E se eu tiver que morrer aqui, já falei que vou por no meu testamento: quero que as minhas cinzas sejam levadas e espalhadas no mar do Embaré.

Acabei de voltar, mas já estou com saudades.
Quantas memórias eu estou deixando de construir porque estou longe das pessoas e das coisas que eu amo... quanto dói o coração porque a minha filha está crescendo e as pessoas que realmente importam para mim não estão por perto para compartilhar esses pequenos momentos, essa coisa relaxada do dia-a-dia.

Foi muito emocionante poder apresentar a Maya para a vovó Marina. Que alegria quando eu cheguei no aeroporto e ela estava lá para receber a bisnetinha. Que saudade do vovô Alvaro, tenho certeza que ele está orgulhoso lá no céu.

Estou de volta, agora a vida continua.
É hora de me concentrar na casa nova, nos novos projetos. E esperar ansiosa pela próxima oportunidade de estar na terra que tem palmeiras onde canta o sabiá.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Estado número 7: Virginia



E eis que mais uma missão cumprida: completei mais uma maratona, em Richmond, Virginia. Foi o sétimo estado americano!
Eu não corria desde 2013, quando eu engravidei... foi uma sensação muito boa estar de volta. Não tem nada como a satisfação de cruzar a linha de chegada =)

Foi um processo de treino longo, e muitas dificuldades. Tive que acordar às 4 da manhã para treinar antes de a Maya (e o Aleks) acordar. Tive que lidar com o excesso de peso que eu ganhei na gravidez. Tive que lidar com o cansaço e todas as outras prioridades que a minha vida de mãe e esposa impõe em mim.
Não foi uma jornada fácil. Houve horas que eu me questionei se não era precipitado da minha parte achar que eu podia correr uma maratona. Mas felizmente eu não desisti!

Durante a corrida mantive um ritmo consideravelmente uniforme, devagar e sempre. O percurso é lindo, as paisagens do outono à beira do Rio James são realmente incríveis. A milha 16 foi provavelmente o meu maior desafio; era uma ponte imensa e ventava muito... eu já estava começando a ficar cansada...
Mas eu pensei na minha filha e no exemplo que eu sou na vida dela. Ela é tão pequenina, mas tão persistente e determinada, não queria desapontá-la. Queria enfrentar o vento e o cansaço e mostrar para ela que na vida é assim, a gente passa por cima da dor e dos obstáculos para atingirmos nossos objetivos. Foi para ela que eu corri, foi a imagem do sorriso dela na minha memória que me moveu à diante. Espero que um dia quando ela entenda um pouco mais, ela possa se orgulhar da mamãe.

Terminei a corrida em 5 horas e 16 minutos, muito acima (quase uma hora...) do nível que eu estava antes da gravidez. Mas terminei. Cruzei a linha de chegada aos prantos, foi muito emocionante.
Estado número 7: completo. Só faltam 44! =)

Agora é me preparar para hibernação no inverno. Vamos ver que outras aventuras maratonísticas o próximo ano vai trazer!

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Rumo a Richmond!

E as minhas aventuras nas corridas continuam!
Essa semana começaram oficialmente os meus treinos para a maratona no sétimo estado americano (agora só vão faltar 43!) - Richmond, Virginia!

A Maya já vai fazer 10 meses, não tem mais desculpa, né?
Infelizmente não consegui continuar correndo na gravidez... acho que em parte porque eu estava trabalhando em Washington DC, e em parte porque eu ganhei um peso considerável.
Depois que a Maya nasceu, também foi difícil voltar a correr, com ela pequena e o maior frio do inverno lá fora... Eu só queria que o mundo acabasse em barranco e chocolate quente!
Se for ver, tudo bem, são situações razoáveis, mas se eu realmente tivesse me empenhado em continuar correndo e não tivesse me acomodado, eu não teria parado... Agora tenho que trabalhar muito para retomar a forma que eu estava antes da gravidez. Sem falar em perder todo o peso que eu ganhei...

Já tenho treinado nos últimos meses para retomar uma base; meu treino longo já está em 8 milhas e tenho treinado velocidade e elevação durante a semana. Meu relógio desperta às 4:30 da manhã 4 vezes por semana, E vamo que vamo =)

Meu objetivo é terminar a maratona entre 5 e 5 horas e meia - beeem mais do que as minhas últimas provas, mas como estou voltando depois de mais de um ano, não posso esperar muito.

Richmond parece ser uma boa corrida. Meus amigos do River Runners, meu grupo de corridas daqui, me deram muito boas referências. Sem muitas subidas, boa estrutura e muitos expectadores. Eu escolhi Richmond porque é em Novembro (mais tempo pra treinar!) e dá pra ir de carro. Com a Maya e tals fica difícil pensar em aventuras mais complicadas... hehe

Não está fácil, mas só de ver como eu estou progredindo pouco a pouco, me dá a motivação que eu preciso para continuar.
Minha vida mudou muito de uns tempos para cá, esse negócio de ser mãe e dona de casa não está fácil para esta pessoa aqui que sonhou tanto em conquistar o mundo... a corrida está sendo uma ótima forma de higiene mental, de me manter centrada.

Bom, é isso aí. Eu acho que eu ouvi um chorinho... a bela adormecida acordou e a fada mamãe precisa comparecer com o leite... =)

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Minha definição do amor

Muitos foram os filósofos, poetas e cintistas que tentaram definir o amor.
Para mim, ao compartilhar com vocês aminha definição do amor, vou deixar que uma imagem fale mais do que mil palavras:

Minha família.
Pode parecer clichê e até meio piegas, mas não há outra definição para mim. Nunca fui tão feliz em toda a minha vida e meu coração transborda toda vez que eu vejo essas duas carinhas sorrindo. Agora minha vida faz sentido, agora eu achei o meu lugar no mundo.

A Maya está uma fofa, já tem 8 meses e meio. Ela já sabe ficar em pé sozinha e fala pelos cotovelos (ba ba ba ba ba!) igual ao pai dela.  =)
Amo muitooooo!

terça-feira, 17 de março de 2015

Uma mocinha

E não é que ela já está praticamente uma mocinha?
Hoje a minha bonequinha faz seis meses =)

É incrível como o tempo voa, parece que foi ontem que saímos do hospital com aqule pedacinho de gente... Bem que dizem que o tempo voa quando a gente se diverte!
Foram seis meses de muito aprendizado para mim, de crescimento pessoal enquanto eu vou conhecendo cada dia mais esses serzinho lindo que eu gerei aqui, em meu ventre.

Eu devo ter um karma muito bom, já que dei sorte de ter o melhor bebê do mundo =)
Ela quase não chora, dorme a noite toda, brinca bem sozinha, e agora recentemente começou a comer bem sua papinha!

Ela é bem simpática, todo lugar que a gente vai ela faz sucesso.
Com ela não tem tempo ruim, é só sorrisos o tempo todo. E dentro dos limites de atividades que podem ser feitas com bebês, até que estamos indo bem. Já fomos viajar, fomos a restaurantes, e ela sempre se comporta bem. Eu descobri que a única coisa que não podemos bagunçar é com o a noite de sono dela. Contanto que ela durma as suas 12 horas por noite e tenha oportunidade de tirar umas sonecas aqui e ali, está valendo. Acho que nisso ela puxou o pai, essa dorminhoquinha... hehe

Acho que até agora todas as fases foram legais, estou curtindo cada minuto.
Por um lado, não vejo a hora que ela comece a andar e falar, mas ao mesmo tempo me aperta o coração em pensar que o meu bebezinho vai crescer. Mas acho que é isso que é ser mãe, não é?
Minha mãe me criou para o mundo, eu cresci livre para fazer minhas escolhas e é assim que eu quero criar a minha filha.

Eu pisquei ela fez seis meses, provavelmente quando eu piscar denovo ela vai fazer 18 anos!
Olha ela aqui, que coisa fofa, gente!




segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Mulher e Mãe

Eu nunca pensei que eu fosse ser assim tão Amélia.

Quem me conheceu há uns anos sabe que eu tinha ambição, queria "dominar o mundo". Eu tinha tanta coisa pra provar... eu buscava aceitação e admiração... queria mostrar o quanto eu era forte, que eu poderia ter tudo o que eu quisesse, e sem a ajuda de ninguém. Isso era o que me motivava e me movia, e fui conquistando objetivo após objetivo na vida.

Exatamente quando eu mudei de idéia é difícil de dizer, acho que foi um processo de amadurecimento. Comecei a perceber que eu não tinha que provar nada pra ninguém. Finalmente caiu a ficha de que o que importava mesmo era a minha felicidade: primeiro comigo mesma, e segundo com o Aleks e a família que nós iríamos formar.

Acho que a maioria das mulheres chegam em um ponto na vida em que se perguntam se desejam ser mãe. Especialmente quando você passa dos 35 e o seu relógio biológico começa a contagem regressiva... Quando eu cheguei neste ponto, também comecei a filosofar sobre o sentido da vida e o sobre o meu legado nesta Terra ("se eu caísse morta hoje, que diferença eu teria feito para o mundo?").
Foi assim que decidi ser mãe. Criar uma vida é o maior legado que um ser humano pode deixar; mesmo depois que eu morrer, uma parte de mim e de todos os meus antepassados continuará viva.

Decidimos que eu ia parar de trabalhar. Confesso que não foi uma decisão fácil, e ainda tem dias que eu sinto falta da minha velha rotina. Mas cada vez que olho para a minha pricesinha e ela sorri pra mim, eu tenho certeza de que fiz o melhor.

A felicidade que ela me traz é indescritível. Como pode esse pinguinho de gente trazer tantas emoções? Eu sei que parece cliché, mas só quem é mãe sabe que esse é o maior amor do mundo, incondicional.

E eu não me importo em ser Amélia. Muito pelo contrário, tenho orgulho e sou muito grata por poder ter essa oportunidade. As ambições que eu tinha, o desejo de me provar, são ridículos e patéticos frente à alegria de estar com ela todos os dias e vê-la crescer.

Esta é minha vida agora. Acho que posso erguer a cabeça e dizer ao mundo que eu sou "mulher de verdade".

=)